Em cada sonho revelado
redesenho minha história,
misturo pedaços
que guardo
no espaço de tempo
que me sobrou.
O que você vê
é apenas uma caricatura,
breve relato do que sou.
Minha identidade
não está em carteiras
ou bolsas
mas na expressão
da minha alma
que nenhuma lente
captou.
sábado, 17 de janeiro de 2009
sábado, 10 de janeiro de 2009
Máscaras
Se for minha sina
me deixe aqui, só.
Não mereço aplausos
ou pedidos de bis.
A cortina há muito se fechou.
O ensaio foi em vão,
forçado, sem nexo.
Os protagonistas
não convencem.
São, apenas, artistas da vida
que emudecem
sob holofotes.
me deixe aqui, só.
Não mereço aplausos
ou pedidos de bis.
A cortina há muito se fechou.
O ensaio foi em vão,
forçado, sem nexo.
Os protagonistas
não convencem.
São, apenas, artistas da vida
que emudecem
sob holofotes.
À queima roupa
Quero desvestir-me de esperas
e vazios no peito
que teimam
em remexer meu passado
sem constragimento.
Desvencilhar-me do torpe,
de palavras jogadas
à queima roupa,
de quem me lança
na fogueira.
Se sou feiticeira
é o meu destino.
Não aceito condenações
ou estigmas.
Nasci para me livrar do medo.
e vazios no peito
que teimam
em remexer meu passado
sem constragimento.
Desvencilhar-me do torpe,
de palavras jogadas
à queima roupa,
de quem me lança
na fogueira.
Se sou feiticeira
é o meu destino.
Não aceito condenações
ou estigmas.
Nasci para me livrar do medo.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Rito
Suas mãos
me tiram o ar
quando envolvem minha nuca
e embalam meus cabelos.
Fico como boneca de pano
completamente entregue.
E me deixo transportar
em passos ousados
na mais íntima das danças
que move a natureza
em ritos ancestrais.
me tiram o ar
quando envolvem minha nuca
e embalam meus cabelos.
Fico como boneca de pano
completamente entregue.
E me deixo transportar
em passos ousados
na mais íntima das danças
que move a natureza
em ritos ancestrais.
Leve pouso
Amanhã não sei se estarei por aqui
sou levada por rumores
humores inconstantes
como um dia que amanhece
em tons de gris
depois se aquece
e torna-se violeta.
Amanhã não sei se estarei por aqui
nada me pertence
nem mesmo a vontade
Alguém pode levá-la
e eu ficarei como o barro vermelho
que veste minha cidade.
Amanhã não sei se estarei por aqui
mas me procure
não me deixe pra trás
em algum lugar pousei
e só você poderá me buscar.
sou levada por rumores
humores inconstantes
como um dia que amanhece
em tons de gris
depois se aquece
e torna-se violeta.
Amanhã não sei se estarei por aqui
nada me pertence
nem mesmo a vontade
Alguém pode levá-la
e eu ficarei como o barro vermelho
que veste minha cidade.
Amanhã não sei se estarei por aqui
mas me procure
não me deixe pra trás
em algum lugar pousei
e só você poderá me buscar.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Dizer EU QUERO - este, sim, é um Feliz Ano Novo.
Começar ou continuar?
Estranhas idéias que temos.
Um ano desaparece
simplesmente
basta a noite cair,
como sempre
e o dia chegar,
como sempre.
FELIZ ANO NOVO?
Então é assim?
Acabou. C´est fini. The end?
Não sei...
mas acordo na mesma casa,
tenho as mesmas contas,
os mesmos vizinhos de hoje.
A virada não cabe em uma data
mas em um único movimento:
mexer os lábios,
soltar a voz e murmurar
ou gritar na janela
EU QUERO!!!!!
Estranhas idéias que temos.
Um ano desaparece
simplesmente
basta a noite cair,
como sempre
e o dia chegar,
como sempre.
FELIZ ANO NOVO?
Então é assim?
Acabou. C´est fini. The end?
Não sei...
mas acordo na mesma casa,
tenho as mesmas contas,
os mesmos vizinhos de hoje.
A virada não cabe em uma data
mas em um único movimento:
mexer os lábios,
soltar a voz e murmurar
ou gritar na janela
EU QUERO!!!!!
domingo, 28 de dezembro de 2008
Sem embates, por favor...
Naquela noite,
triste hora dos acertos,
a chuva abafou minha voz.
Tanto por dizer
e por escutar...
Mas você me conhece bem
sabe que não sei gritar.
Minha voz se perde em mim
nesses momentos
por saber
que amor não é embate.
Confrontos me deixam sem ar
e fazem pesar minhas pálpebras.
E nessas horas,
você nunca me estendeu a mão.
Guardo a mágoa
do abraço não dado
e por fazer da chuva
meu choro
quando, sozinha,
atravessei a rua
naquela noite,
triste hora dos acertos.
triste hora dos acertos,
a chuva abafou minha voz.
Tanto por dizer
e por escutar...
Mas você me conhece bem
sabe que não sei gritar.
Minha voz se perde em mim
nesses momentos
por saber
que amor não é embate.
Confrontos me deixam sem ar
e fazem pesar minhas pálpebras.
E nessas horas,
você nunca me estendeu a mão.
Guardo a mágoa
do abraço não dado
e por fazer da chuva
meu choro
quando, sozinha,
atravessei a rua
naquela noite,
triste hora dos acertos.
Armadura
Pra você,
sou toda ouvidos
Mas não abuse
do meu bem-querer.
Não sou feita de cera
pra me derreter com elogios
nem de louça
pra me desfazer em cacos.
Saiba que meu material
é resistente
já foi testado em fogo
e em temperaturas polares.
E estou aqui, não estou?
Pra você pode parecer estranho
Já, pra mim,
ficou fácil demais
me encouraçar.
sou toda ouvidos
Mas não abuse
do meu bem-querer.
Não sou feita de cera
pra me derreter com elogios
nem de louça
pra me desfazer em cacos.
Saiba que meu material
é resistente
já foi testado em fogo
e em temperaturas polares.
E estou aqui, não estou?
Pra você pode parecer estranho
Já, pra mim,
ficou fácil demais
me encouraçar.
Capricho
Paixões surgem
fora de época.
Num carnaval em novembro,
nas férias de abril
ou entre corações
já de outros.
Sem tempo certo
o querer rasga a pele
provoca tufões.
Capricho da natureza
que penetra em compartimentos
sem carimbo de aprovação.
fora de época.
Num carnaval em novembro,
nas férias de abril
ou entre corações
já de outros.
Sem tempo certo
o querer rasga a pele
provoca tufões.
Capricho da natureza
que penetra em compartimentos
sem carimbo de aprovação.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Entrelaços
Vínculos surgem
do que não podemos explicar
Complementos, diferenças,
sintonia
tudo ou nada disso.
Pouco importa.
Com esses laços
enfeitamos segredos
fiamos histórias
e nos entrelaçamos
em momentos
tão enraizados em nós
que torna-se difícil
desenhar o óbvio
e entender
o que não se explica.
do que não podemos explicar
Complementos, diferenças,
sintonia
tudo ou nada disso.
Pouco importa.
Com esses laços
enfeitamos segredos
fiamos histórias
e nos entrelaçamos
em momentos
tão enraizados em nós
que torna-se difícil
desenhar o óbvio
e entender
o que não se explica.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Êxtase
Sinto frio sem seu corpo.
Mesmo em pensamento
ele me falta
como o ar
que abrevia meus dias.
Não sei quanto tempo teremos
mas para mim
pouco importa.
Louco amor
que diz se conformar com o pouco.
Mas que anseia
por mais e mais.
Talvez ninguém
consiga te alcançar
como eu.
E, mesmo assim,
sou apenas o rascunho
do seu poema
ou a breve partitura
dos bêbados e errantes.
Mas tenho medo
de, quando você acordar,
eu já não esteja mais aqui.
Sou parte do vento
que preenche o fim da tarde
e me deixo levar
pra onde me sinto bem.
Acarinhada, beijada,
em puro êxtase
como num manual
de sexo tântrico.
Mesmo em pensamento
ele me falta
como o ar
que abrevia meus dias.
Não sei quanto tempo teremos
mas para mim
pouco importa.
Louco amor
que diz se conformar com o pouco.
Mas que anseia
por mais e mais.
Talvez ninguém
consiga te alcançar
como eu.
E, mesmo assim,
sou apenas o rascunho
do seu poema
ou a breve partitura
dos bêbados e errantes.
Mas tenho medo
de, quando você acordar,
eu já não esteja mais aqui.
Sou parte do vento
que preenche o fim da tarde
e me deixo levar
pra onde me sinto bem.
Acarinhada, beijada,
em puro êxtase
como num manual
de sexo tântrico.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Instinto
O meu lado racional
já fez sua opção.
Se vou me arrepender
ainda não sei.
Afinal, sou apenas humana,
às vezes frágil,
em outras visceral.
Mas quero preservar
os meus instintos
não só de sobrevivência
mas o de respirar aliviada.
Desta vez, tenho medo
das palavras não ditas
e pela falta delas
me vi acuada
e precisei sair à francesa.
já fez sua opção.
Se vou me arrepender
ainda não sei.
Afinal, sou apenas humana,
às vezes frágil,
em outras visceral.
Mas quero preservar
os meus instintos
não só de sobrevivência
mas o de respirar aliviada.
Desta vez, tenho medo
das palavras não ditas
e pela falta delas
me vi acuada
e precisei sair à francesa.
Pelas frestas
O som do passado
me acordou hoje
e me empurrou cedo da cama.
Ainda tonta
me deixei levar.
Tropecei em culpas
espalhadas pelo chão,
caí em buracos entreabertos
e me fartei em lágrimas.
Sei que não há mais tempo
para colocar as trancas
em portas e janelas.
Mas também isso não adiantaria.
O passado entra
pelas frestas
e se esconde nos ralos.
Vagueia pela sala
abre tampas de panelas
e, de madrugada,
deita ao meu lado
dividindo o mesmo cobertor.
Pela manhã,
me sacode de mansinho
beija a minha boca
pega a minha mão
e eu me deixo levar.
me acordou hoje
e me empurrou cedo da cama.
Ainda tonta
me deixei levar.
Tropecei em culpas
espalhadas pelo chão,
caí em buracos entreabertos
e me fartei em lágrimas.
Sei que não há mais tempo
para colocar as trancas
em portas e janelas.
Mas também isso não adiantaria.
O passado entra
pelas frestas
e se esconde nos ralos.
Vagueia pela sala
abre tampas de panelas
e, de madrugada,
deita ao meu lado
dividindo o mesmo cobertor.
Pela manhã,
me sacode de mansinho
beija a minha boca
pega a minha mão
e eu me deixo levar.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Poeira
O mesmo tempo
que nos traz desenganos
desfaz as dores,
recria a vida tece teias.
Some na vastidão
resgata lembranças perdidas
e transforma outras
em partículas de poeira.
O tempo não pára um minuto
nunca dá trégua
e sempre nos leva no colo
acordados ou dormindo.
que nos traz desenganos
desfaz as dores,
recria a vida tece teias.
Some na vastidão
resgata lembranças perdidas
e transforma outras
em partículas de poeira.
O tempo não pára um minuto
nunca dá trégua
e sempre nos leva no colo
acordados ou dormindo.
Sem fronteiras
Quando pensamos
que o que sentimos
nunca se repetirá
descobrimos que,
como música,
a inspiração não termina nunca.
Quando pensamos
que fizemos
a mais linda melodia
eis que vem outra
e mais outra
que preenche aquele
espaço de delicadeza
e paixão.
Somos mesmos sem fronteiras
A mais perfeita música
que ainda vamos conhecer
Porque somos seres
sem fronteiras,
barreiras
ou fins.
O que quisermos ser
está em nossas mãos.
que o que sentimos
nunca se repetirá
descobrimos que,
como música,
a inspiração não termina nunca.
Quando pensamos
que fizemos
a mais linda melodia
eis que vem outra
e mais outra
que preenche aquele
espaço de delicadeza
e paixão.
Somos mesmos sem fronteiras
A mais perfeita música
que ainda vamos conhecer
Porque somos seres
sem fronteiras,
barreiras
ou fins.
O que quisermos ser
está em nossas mãos.
Parceiros
De alguma forma
já nos casamos
Fizemos pactos
e somos cúmplices
na intensidade
das palavras,
agora, nossas filhas
que acarinhamos
e regamos
em íntima parceria.
já nos casamos
Fizemos pactos
e somos cúmplices
na intensidade
das palavras,
agora, nossas filhas
que acarinhamos
e regamos
em íntima parceria.
Sintonia
Janela entreaberta
convite escancarado
pro segredo guardado
entre nós dois.
Perfeita sintonia
de vozes e corpos
que mergulham
em mundos invisíveis.
Lugar onde só cabe dois
e isso basta
pro tudo que ficou
em marcas profundas.
Quando sair
encoste a janela
bem devagar
deixarei o trinco aberto
de novo
amanhã.
convite escancarado
pro segredo guardado
entre nós dois.
Perfeita sintonia
de vozes e corpos
que mergulham
em mundos invisíveis.
Lugar onde só cabe dois
e isso basta
pro tudo que ficou
em marcas profundas.
Quando sair
encoste a janela
bem devagar
deixarei o trinco aberto
de novo
amanhã.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Pobres sapatilhas
Quando menina
a vida em sapatilhas
mais tarde esquecidas
puídas,
jogadas no lixo
de qualquer lugar.
Apenas um desejo
que se esvai na neblina do tempo
nos atalhos e descaminhos.
Sem rodopios ou saltos
a quase bailarina
lembra a sua história
tão longe e incômoda.
Quando em pontas
o palco era seu futuro
mas nunca foi
seu destino.
a vida em sapatilhas
mais tarde esquecidas
puídas,
jogadas no lixo
de qualquer lugar.
Apenas um desejo
que se esvai na neblina do tempo
nos atalhos e descaminhos.
Sem rodopios ou saltos
a quase bailarina
lembra a sua história
tão longe e incômoda.
Quando em pontas
o palco era seu futuro
mas nunca foi
seu destino.
Era pra ser a dois
A festa é para poucos
Você o convidado especial
Mesmo sem roupas de grife
Sem sorriso nos olhos
Ou flores nas mãos.
Acendi as velas
Perfumei a sala
Sentei no sofá
Esperei
E a música não começou.
Mas guardei tudo do pouco
Os pingos de vela na mesa
O vidro de essência que perfumou a sala
E a vontade derramada no sofá.
Se é o que você quer
Então apague seus escritos
Feche sua portas
Escureça as janelas
Algeme suas mãos.
Prometo não bater na sua porta
Mas espero....
Que você ouse com novos escritos
E a vontade estampada na boca
Você é o convidado especial
Dessa festa que é mesmo para poucos...
Você o convidado especial
Mesmo sem roupas de grife
Sem sorriso nos olhos
Ou flores nas mãos.
Acendi as velas
Perfumei a sala
Sentei no sofá
Esperei
E a música não começou.
Mas guardei tudo do pouco
Os pingos de vela na mesa
O vidro de essência que perfumou a sala
E a vontade derramada no sofá.
Se é o que você quer
Então apague seus escritos
Feche sua portas
Escureça as janelas
Algeme suas mãos.
Prometo não bater na sua porta
Mas espero....
Que você ouse com novos escritos
E a vontade estampada na boca
Você é o convidado especial
Dessa festa que é mesmo para poucos...
Cristais
Da noite,
apenas vestígios de nós dois
Restos no prato e na cama
migalhas e almofadas
pelo chão.
A urgência da febre
não tem analgésicos.
As mantas que cobrem meu corpo
sãos as mesmas que usamos
juntos.
E, agora, minha pele arde
sozinha.
Triste momento
que o destino
escreveu.
Não resta mais nada
a não ser a entrega
a pensamentos hostis
arrepios pelo corpo,
nervos estilhaçados
e fibras esticadas ao limite.
Mas não sou de entregar os pontos
me recosturo inteira
com os mais finos acabamentos.
Enquanto você espera
me ver em frangalhos
apareço com a mais linda veste.
Feita de cristal.
Presentes dados
pela mãe terra
tirados do mais profundo
leito
do Planalto Central.
apenas vestígios de nós dois
Restos no prato e na cama
migalhas e almofadas
pelo chão.
A urgência da febre
não tem analgésicos.
As mantas que cobrem meu corpo
sãos as mesmas que usamos
juntos.
E, agora, minha pele arde
sozinha.
Triste momento
que o destino
escreveu.
Não resta mais nada
a não ser a entrega
a pensamentos hostis
arrepios pelo corpo,
nervos estilhaçados
e fibras esticadas ao limite.
Mas não sou de entregar os pontos
me recosturo inteira
com os mais finos acabamentos.
Enquanto você espera
me ver em frangalhos
apareço com a mais linda veste.
Feita de cristal.
Presentes dados
pela mãe terra
tirados do mais profundo
leito
do Planalto Central.
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