As perdas do caminho
fazem parte
de todo processo
do caminhar...
Mero progresso paisagístico
de nem sei quem...
Começo da subida
do esparramar de ondas
de afundar o pé...
Movimento de encher o copo
até o topo
chutar o balde
romper o grito.
Desarme-se
desate os nós...
Somos poucos
por aqui.
Apenas a pena caída
o vulto, a vela que queima...
um alicerce...
Seria tão bom ser o toque final,
o prego na parede,
o designer,
a cor que realça.
Mas há quem nasceu
pra ser o papel
e quem nasceu pra ser
Lápis.
sábado, 11 de julho de 2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Sem mandingas, por favor
Só querer.
Apenas querer.
Intenções sem movimento
pequenas torturas diárias
de quem sente
o leve clamor
de um movimento
involuntário dos músculos.
Eterna transmutação
pequenos tiques
que surgiram
das não-escolhas.
Basta saber que o mesmo feitiço
que atordoa
mata, fere
e não adianta
sal grosso.
Apenas querer.
Intenções sem movimento
pequenas torturas diárias
de quem sente
o leve clamor
de um movimento
involuntário dos músculos.
Eterna transmutação
pequenos tiques
que surgiram
das não-escolhas.
Basta saber que o mesmo feitiço
que atordoa
mata, fere
e não adianta
sal grosso.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Não sei alinhavar
Não me lembro bem
da primeira vez que desisti.
Uma dormência nos olhos
o arrepio nas pernas
o jogar-se em qualquer lugar.
A falta de ar
o coração no céu da boca
o medo avassalador
de esmorecer
e não buscar um ombro.
Quem me empurrou para a porta?
Quem me guiou até o porto?
As respostas já não me importam
reconstruí os muitos pedaços
e ficou bom o resultado
por fora ninguém vê.
Pelo avesso
só eu sei...
O esforço foi dobrado
mas nunca fui boa mesmo
em trabalhos manuais.
da primeira vez que desisti.
Uma dormência nos olhos
o arrepio nas pernas
o jogar-se em qualquer lugar.
A falta de ar
o coração no céu da boca
o medo avassalador
de esmorecer
e não buscar um ombro.
Quem me empurrou para a porta?
Quem me guiou até o porto?
As respostas já não me importam
reconstruí os muitos pedaços
e ficou bom o resultado
por fora ninguém vê.
Pelo avesso
só eu sei...
O esforço foi dobrado
mas nunca fui boa mesmo
em trabalhos manuais.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Sem máscaras
Desculpe
se entendi errado
os seus gestos
e interpretei mal
as palavras.
Isso acontece
com os corações aflitos
e acelerados.
Esqueça tudo que eu disse.
Encare como se fosse um pensamento longe
e criativo.
Não retiro nada daquilo
mas peço que você pare de me sugar
com esse olhar de reticências.
Pronto.
Está tudo resolvido.
Só tirei a máscara
porque era carnaval.
se entendi errado
os seus gestos
e interpretei mal
as palavras.
Isso acontece
com os corações aflitos
e acelerados.
Esqueça tudo que eu disse.
Encare como se fosse um pensamento longe
e criativo.
Não retiro nada daquilo
mas peço que você pare de me sugar
com esse olhar de reticências.
Pronto.
Está tudo resolvido.
Só tirei a máscara
porque era carnaval.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Confessionário
Quando acordo e te vejo
sei que ganhei um dia
de puro enlevo.
Suspiro sua presença
e me vejo
pulando em seu colo
por pura falta de modos.
Não posso compactuar
com a discrição
das meninas de outras eras.
Não tenho pudores, nem ódios.
Sou apenas isso que você conhece.
Uma alma densa
presa ao seu pescoço
e a desabar
em seu colo.
sei que ganhei um dia
de puro enlevo.
Suspiro sua presença
e me vejo
pulando em seu colo
por pura falta de modos.
Não posso compactuar
com a discrição
das meninas de outras eras.
Não tenho pudores, nem ódios.
Sou apenas isso que você conhece.
Uma alma densa
presa ao seu pescoço
e a desabar
em seu colo.
Palavras
Quando a minha palavra
for ouvida
todas as noites insones
terão razão de ser.
Meus dias serão pintados
de cores fortes
e me jogarei neles.
Quando a minha palavra
for repetida por outra boca
ouvirei mantras
e os sons do silêncio.
Serei um ser pulsante
de atos livres.
Quando minha palavra
entrar na vida de alguém
nunca mais estarei sozinha.
for ouvida
todas as noites insones
terão razão de ser.
Meus dias serão pintados
de cores fortes
e me jogarei neles.
Quando a minha palavra
for repetida por outra boca
ouvirei mantras
e os sons do silêncio.
Serei um ser pulsante
de atos livres.
Quando minha palavra
entrar na vida de alguém
nunca mais estarei sozinha.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Teias
De longe tudo é permitido
sem censuras ou melindres.
É como se não houvesse fronteira.
Podemos esparramar
nossos amores contidos,
as palavras guardadas,
a mais sutil emoção.
Às vezes, a presença
refreia os instintos
por concretizar
a beleza desenhada
e revista por todos os ângulos.
Textura, cheiro, gosto.
Nada jamais visto.
Puramente sentido
e capturado pelas finas teias
que trançam certos caminhos.
sem censuras ou melindres.
É como se não houvesse fronteira.
Podemos esparramar
nossos amores contidos,
as palavras guardadas,
a mais sutil emoção.
Às vezes, a presença
refreia os instintos
por concretizar
a beleza desenhada
e revista por todos os ângulos.
Textura, cheiro, gosto.
Nada jamais visto.
Puramente sentido
e capturado pelas finas teias
que trançam certos caminhos.
Sem reservas
Olhe-se e veja
Somos muito
em tão pouco espaço.
Respiramos o mesmo ar,
compactuamos palavras.
Servimos aos mesmos amores.
São abraços invisíveis
que nos colocam
de frente um para o outro.
Nada planejado
tudo consentido
sem reservas
ou cartão de embarque.
Somos muito
em tão pouco espaço.
Respiramos o mesmo ar,
compactuamos palavras.
Servimos aos mesmos amores.
São abraços invisíveis
que nos colocam
de frente um para o outro.
Nada planejado
tudo consentido
sem reservas
ou cartão de embarque.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Só
Em tons de gris
vagueia meu coração
a procura de uma aquarela
para refazer este dia.
Pintá-lo com as cores
da infância.
Casa, chaminé,
porta sem trancas
e cortinas na janela.
Simples vida
só vista por olhos de criança.
vagueia meu coração
a procura de uma aquarela
para refazer este dia.
Pintá-lo com as cores
da infância.
Casa, chaminé,
porta sem trancas
e cortinas na janela.
Simples vida
só vista por olhos de criança.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Rolleiflex
Atrás do nosso retrato
em letras de forma
nosso testemunho
da troca de amores,
poucos favores,
toda entrega.
Sorriso nos olhos
em momentos únicos
registrados por uma rolleiflex.
Nuances que, hoje, fogem
às digitais.
Registro dos tempos modernos
onde não há lentidão,
detalhes ou arremates.
Século em que a solidão
se veste como mais um
vulto na multidão.
Onde nós mesmos
tiramos nossos retratos.
Não precisamos de ninguém.
Até em nossa solidão
somos autônomos,
independentes.
Reverso do tempo
onde nos ensinavam
a amarrar os sapatos,
estendiam as mãos
para subirmos em trens
e precisávamos de terceiros
pra registrar nossa felicidade.
Apenas para compartilhar.
em letras de forma
nosso testemunho
da troca de amores,
poucos favores,
toda entrega.
Sorriso nos olhos
em momentos únicos
registrados por uma rolleiflex.
Nuances que, hoje, fogem
às digitais.
Registro dos tempos modernos
onde não há lentidão,
detalhes ou arremates.
Século em que a solidão
se veste como mais um
vulto na multidão.
Onde nós mesmos
tiramos nossos retratos.
Não precisamos de ninguém.
Até em nossa solidão
somos autônomos,
independentes.
Reverso do tempo
onde nos ensinavam
a amarrar os sapatos,
estendiam as mãos
para subirmos em trens
e precisávamos de terceiros
pra registrar nossa felicidade.
Apenas para compartilhar.
domingo, 18 de janeiro de 2009
De você, nada sei
Não quero esquecer o seu rosto
nem poderia
Ele está desenhado em mim
cravado com agulhas finas.
Não tenho mais nossas fotografias
você as rasgou naquele dia
sem me dizer o motivo
dos seus desvarios.
Também não sei mais
se quero ouvir
qualquer coisa.
Não tive o direito
de falar, de me defender
por nada saber.
Agora, passado o temporal,
não mais voltarei.
Por isso rasguei
suas cartas
e não atendi a seus apelos.
Prefiro assim.
Sem explicações fiquei
Sem explicações você ficará.
nem poderia
Ele está desenhado em mim
cravado com agulhas finas.
Não tenho mais nossas fotografias
você as rasgou naquele dia
sem me dizer o motivo
dos seus desvarios.
Também não sei mais
se quero ouvir
qualquer coisa.
Não tive o direito
de falar, de me defender
por nada saber.
Agora, passado o temporal,
não mais voltarei.
Por isso rasguei
suas cartas
e não atendi a seus apelos.
Prefiro assim.
Sem explicações fiquei
Sem explicações você ficará.
sábado, 17 de janeiro de 2009
Retrato
Em cada sonho revelado
redesenho minha história,
misturo pedaços
que guardo
no espaço de tempo
que me sobrou.
O que você vê
é apenas uma caricatura,
breve relato do que sou.
Minha identidade
não está em carteiras
ou bolsas
mas na expressão
da minha alma
que nenhuma lente
captou.
redesenho minha história,
misturo pedaços
que guardo
no espaço de tempo
que me sobrou.
O que você vê
é apenas uma caricatura,
breve relato do que sou.
Minha identidade
não está em carteiras
ou bolsas
mas na expressão
da minha alma
que nenhuma lente
captou.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Máscaras
Se for minha sina
me deixe aqui, só.
Não mereço aplausos
ou pedidos de bis.
A cortina há muito se fechou.
O ensaio foi em vão,
forçado, sem nexo.
Os protagonistas
não convencem.
São, apenas, artistas da vida
que emudecem
sob holofotes.
me deixe aqui, só.
Não mereço aplausos
ou pedidos de bis.
A cortina há muito se fechou.
O ensaio foi em vão,
forçado, sem nexo.
Os protagonistas
não convencem.
São, apenas, artistas da vida
que emudecem
sob holofotes.
À queima roupa
Quero desvestir-me de esperas
e vazios no peito
que teimam
em remexer meu passado
sem constragimento.
Desvencilhar-me do torpe,
de palavras jogadas
à queima roupa,
de quem me lança
na fogueira.
Se sou feiticeira
é o meu destino.
Não aceito condenações
ou estigmas.
Nasci para me livrar do medo.
e vazios no peito
que teimam
em remexer meu passado
sem constragimento.
Desvencilhar-me do torpe,
de palavras jogadas
à queima roupa,
de quem me lança
na fogueira.
Se sou feiticeira
é o meu destino.
Não aceito condenações
ou estigmas.
Nasci para me livrar do medo.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Rito
Suas mãos
me tiram o ar
quando envolvem minha nuca
e embalam meus cabelos.
Fico como boneca de pano
completamente entregue.
E me deixo transportar
em passos ousados
na mais íntima das danças
que move a natureza
em ritos ancestrais.
me tiram o ar
quando envolvem minha nuca
e embalam meus cabelos.
Fico como boneca de pano
completamente entregue.
E me deixo transportar
em passos ousados
na mais íntima das danças
que move a natureza
em ritos ancestrais.
Leve pouso
Amanhã não sei se estarei por aqui
sou levada por rumores
humores inconstantes
como um dia que amanhece
em tons de gris
depois se aquece
e torna-se violeta.
Amanhã não sei se estarei por aqui
nada me pertence
nem mesmo a vontade
Alguém pode levá-la
e eu ficarei como o barro vermelho
que veste minha cidade.
Amanhã não sei se estarei por aqui
mas me procure
não me deixe pra trás
em algum lugar pousei
e só você poderá me buscar.
sou levada por rumores
humores inconstantes
como um dia que amanhece
em tons de gris
depois se aquece
e torna-se violeta.
Amanhã não sei se estarei por aqui
nada me pertence
nem mesmo a vontade
Alguém pode levá-la
e eu ficarei como o barro vermelho
que veste minha cidade.
Amanhã não sei se estarei por aqui
mas me procure
não me deixe pra trás
em algum lugar pousei
e só você poderá me buscar.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Dizer EU QUERO - este, sim, é um Feliz Ano Novo.
Começar ou continuar?
Estranhas idéias que temos.
Um ano desaparece
simplesmente
basta a noite cair,
como sempre
e o dia chegar,
como sempre.
FELIZ ANO NOVO?
Então é assim?
Acabou. C´est fini. The end?
Não sei...
mas acordo na mesma casa,
tenho as mesmas contas,
os mesmos vizinhos de hoje.
A virada não cabe em uma data
mas em um único movimento:
mexer os lábios,
soltar a voz e murmurar
ou gritar na janela
EU QUERO!!!!!
Estranhas idéias que temos.
Um ano desaparece
simplesmente
basta a noite cair,
como sempre
e o dia chegar,
como sempre.
FELIZ ANO NOVO?
Então é assim?
Acabou. C´est fini. The end?
Não sei...
mas acordo na mesma casa,
tenho as mesmas contas,
os mesmos vizinhos de hoje.
A virada não cabe em uma data
mas em um único movimento:
mexer os lábios,
soltar a voz e murmurar
ou gritar na janela
EU QUERO!!!!!
domingo, 28 de dezembro de 2008
Sem embates, por favor...
Naquela noite,
triste hora dos acertos,
a chuva abafou minha voz.
Tanto por dizer
e por escutar...
Mas você me conhece bem
sabe que não sei gritar.
Minha voz se perde em mim
nesses momentos
por saber
que amor não é embate.
Confrontos me deixam sem ar
e fazem pesar minhas pálpebras.
E nessas horas,
você nunca me estendeu a mão.
Guardo a mágoa
do abraço não dado
e por fazer da chuva
meu choro
quando, sozinha,
atravessei a rua
naquela noite,
triste hora dos acertos.
triste hora dos acertos,
a chuva abafou minha voz.
Tanto por dizer
e por escutar...
Mas você me conhece bem
sabe que não sei gritar.
Minha voz se perde em mim
nesses momentos
por saber
que amor não é embate.
Confrontos me deixam sem ar
e fazem pesar minhas pálpebras.
E nessas horas,
você nunca me estendeu a mão.
Guardo a mágoa
do abraço não dado
e por fazer da chuva
meu choro
quando, sozinha,
atravessei a rua
naquela noite,
triste hora dos acertos.
Armadura
Pra você,
sou toda ouvidos
Mas não abuse
do meu bem-querer.
Não sou feita de cera
pra me derreter com elogios
nem de louça
pra me desfazer em cacos.
Saiba que meu material
é resistente
já foi testado em fogo
e em temperaturas polares.
E estou aqui, não estou?
Pra você pode parecer estranho
Já, pra mim,
ficou fácil demais
me encouraçar.
sou toda ouvidos
Mas não abuse
do meu bem-querer.
Não sou feita de cera
pra me derreter com elogios
nem de louça
pra me desfazer em cacos.
Saiba que meu material
é resistente
já foi testado em fogo
e em temperaturas polares.
E estou aqui, não estou?
Pra você pode parecer estranho
Já, pra mim,
ficou fácil demais
me encouraçar.
Capricho
Paixões surgem
fora de época.
Num carnaval em novembro,
nas férias de abril
ou entre corações
já de outros.
Sem tempo certo
o querer rasga a pele
provoca tufões.
Capricho da natureza
que penetra em compartimentos
sem carimbo de aprovação.
fora de época.
Num carnaval em novembro,
nas férias de abril
ou entre corações
já de outros.
Sem tempo certo
o querer rasga a pele
provoca tufões.
Capricho da natureza
que penetra em compartimentos
sem carimbo de aprovação.
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