Sem nós

Sem nós
O que me prende a ti não são laços. Talvez, nós.

sábado, 21 de novembro de 2009

Vampiro

Compartilhar sonhos
expectativas
abandonos.
Tudo o que peço
é um pouco
do seu
sangue.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Apenas traços

Na parede do seu quarto
me desenhei.
Traços em giz de cera
espalhados com algodão.
Eternos borrões
como maquiagem
nos olhos molhados.

A Ilha

É muito, extremamente chato
ter a obrigação de sempre pensar positivo.
Afaste os maus pensamentos, minha filha...
Ô conselhinho...
Por favor, me poupem dessa mesmice,
desse frenesi que assola
o planeta dos bonzinhos.
Quero mesmo as tempestades,
naufragar o meu navio...
Quem sabe eu não sobreviva
e aprenda a nadar?
Desfalecer em alguma ilha
do Pacífico
é, simplesmente,
o que quero neste instante.

Velório

Estou dormindo melhor
desde que você morreu.
Pra mim.

Aos nossos sentimentos, Dan! Você entendeu. Bj.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Instinto

Não foi bem assim
que imaginei
o fim da história.
Mas foi minha, sim, a escolha.
Afinal, somos tão capazes,
firmes nos nossos propósitos,
donos do próprio nariz...
que até perdemos o faro,
a visão noturna
e somos incapazes
de distinguir instinto
de superstição.
E ainda nos orgulhamos
de sermos seres racionais.
De pouca valia para quem
nem consegue salvar a própria pele
ou prever e se proteger
das pequenas e grandes tragédias
que nos espreitam todo dia.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tome posse

Para todos que querem
morrer
eu digo:
não, não, não!!!!!
Seu deleite não depende
de ninguém.
Seu aceite é só seu.
O açoite,
de onde vier,vem...
Não é seu...
Proteja...
Transpasse...
Eleja...
Aceite...
Transgrida...
Não há disfarce
para o que é seu.

Pouco sexo

Quando alguém
deixa tudo pra trás
há uma razão tão forte
quanto a conjuntura dos astros,
a conjugação dos verbos
o divã...
Quando alguém
abre mão de tantas coisas
isso requer respeito.
Porque
se alguém abre mão
do contexto,
do seu texto
não há mais reflexo...
O que há é pouco sexo
refluxo
desconexo
E, pra mim,
me desculpe,
senhores,
não há nexo.

Se acaso me quiseres

Algo está fora do tom.
Descompassos
Semi tons
mero ocaso.
Perdoe-me Chico
mas se acaso me quiseres
sou dessas mulheres
que só dizem
Sim
pra você!
Não pra você, Chicoooooooooooooooo!
Desculpe, apenas,
a licença poética...

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Desapego

Você nunca
mas nunca mais
vai saber o que sinto.
Assim você quis
Assim será...

Transbordando

O acordar
se torna mais belo
a cada manhã
em que me sinto
abrigada
e acarinhada
entre palavras
e lençóis de algodão.
E o primeiro gole d'água
que bebo com mais vontade
escorre por toda minha boca.
E é intensa a vontade
de sorver até a última gota
o líquido que você me oferece
em gigantescas moringas
cheias até o topo.

domingo, 1 de novembro de 2009

Enlace

Quando minha perna enlaçar a sua
não diga nada
não peça nada.
São movimentos involuntários
levados pelo que nem sei
e nem posso explicar.
Se quiser, apenas retribua....
Mas me deixe descansar
nesse enlace
tão íntimo
espontâneo...
Apenas e totalmente
um laço.

sábado, 11 de julho de 2009

Lápis

As perdas do caminho
fazem parte
de todo processo
do caminhar...
Mero progresso paisagístico
de nem sei quem...
Começo da subida
do esparramar de ondas
de afundar o pé...
Movimento de encher o copo
até o topo
chutar o balde
romper o grito.
Desarme-se
desate os nós...
Somos poucos
por aqui.
Apenas a pena caída
o vulto, a vela que queima...
um alicerce...
Seria tão bom ser o toque final,
o prego na parede,
o designer,
a cor que realça.
Mas há quem nasceu
pra ser o papel
e quem nasceu pra ser
Lápis.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sem mandingas, por favor

Só querer.
Apenas querer.
Intenções sem movimento
pequenas torturas diárias
de quem sente
o leve clamor
de um movimento
involuntário dos músculos.
Eterna transmutação
pequenos tiques
que surgiram
das não-escolhas.
Basta saber que o mesmo feitiço
que atordoa
mata, fere
e não adianta
sal grosso.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Não sei alinhavar

Não me lembro bem
da primeira vez que desisti.
Uma dormência nos olhos
o arrepio nas pernas
o jogar-se em qualquer lugar.
A falta de ar
o coração no céu da boca
o medo avassalador
de esmorecer
e não buscar um ombro.
Quem me empurrou para a porta?
Quem me guiou até o porto?
As respostas já não me importam
reconstruí os muitos pedaços
e ficou bom o resultado
por fora ninguém vê.
Pelo avesso
só eu sei...
O esforço foi dobrado
mas nunca fui boa mesmo
em trabalhos manuais.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Sem máscaras

Desculpe
se entendi errado
os seus gestos
e interpretei mal
as palavras.
Isso acontece
com os corações aflitos
e acelerados.
Esqueça tudo que eu disse.
Encare como se fosse um pensamento longe
e criativo.
Não retiro nada daquilo
mas peço que você pare de me sugar
com esse olhar de reticências.
Pronto.
Está tudo resolvido.
Só tirei a máscara
porque era carnaval.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Confessionário

Quando acordo e te vejo
sei que ganhei um dia
de puro enlevo.
Suspiro sua presença
e me vejo
pulando em seu colo
por pura falta de modos.
Não posso compactuar
com a discrição
das meninas de outras eras.
Não tenho pudores, nem ódios.
Sou apenas isso que você conhece.
Uma alma densa
presa ao seu pescoço
e a desabar
em seu colo.

Palavras

Quando a minha palavra
for ouvida
todas as noites insones
terão razão de ser.
Meus dias serão pintados
de cores fortes
e me jogarei neles.
Quando a minha palavra
for repetida por outra boca
ouvirei mantras
e os sons do silêncio.
Serei um ser pulsante
de atos livres.
Quando minha palavra
entrar na vida de alguém
nunca mais estarei sozinha.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Teias

De longe tudo é permitido
sem censuras ou melindres.
É como se não houvesse fronteira.
Podemos esparramar
nossos amores contidos,
as palavras guardadas,
a mais sutil emoção.
Às vezes, a presença
refreia os instintos
por concretizar
a beleza desenhada
e revista por todos os ângulos.
Textura, cheiro, gosto.
Nada jamais visto.
Puramente sentido
e capturado pelas finas teias
que trançam certos caminhos.

Sem reservas

Olhe-se e veja
Somos muito
em tão pouco espaço.
Respiramos o mesmo ar,
compactuamos palavras.
Servimos aos mesmos amores.
São abraços invisíveis
que nos colocam
de frente um para o outro.
Nada planejado
tudo consentido
sem reservas
ou cartão de embarque.