Sei que invadi sua sala,
deitei no sofá
e ali fiquei.
Fui ardilosa
em argumentos.
Meti os pés pelas mãos.
Eu bem sei.
Apenas me defendi.
Mas sei...
acabou a festa.
E nada pedi.
Apenas quis levar
meus argumentos.
Mas, lamento,
se você entendeu o que quis,
boa sorte, aprendiz.
Não há mais volta.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
sábado, 25 de maio de 2013
Ser feliz
Se a gente juntasse
aqueles segundos
em que somos felizes,
talvez,
quem sabe
desse um ano.
Não sei.
Mas um ser humano
ser pleno assim
em 365 dias,
sobreviveria?
Confesso,
não sei.
Eu, com certeza,
morreria.
Feliz.
aqueles segundos
em que somos felizes,
talvez,
quem sabe
desse um ano.
Não sei.
Mas um ser humano
ser pleno assim
em 365 dias,
sobreviveria?
Confesso,
não sei.
Eu, com certeza,
morreria.
Feliz.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Recomeço
Desatou aos poucos
os laços
e o sentiu deslizar
em suas costas.
Puro veludo azul.
Com dois grampos,
prendeu os cabelos.
Queria sentir o vento
na nuca.
Sempre fazia isso
quando menina
e pulava corda
na porta da escola.
Desvencilhou-se do vestido
emaranhado em seus pés.
Pensou em guardá-lo
mas o deixou ali,
no tapete do quarto.
Afinal, era mais uma noite
sem visitas.
Suspirou.
Do outro lado da rua,
ele a viu.
Encostou-se à parede
do quarto.
Olhos jogados na janela.
Nem sentia mais frio.
Sem querer, prendeu o ar.
Nossa...
há tempos
não via ninguém assim.
não via ninguém assim.
Tão trajada de nudez.
Levou as mãos ao rosto.
Por entre as cortinas,
ela suspirou,
derreteu-se em lençóis
e se pintou de azul.
Na noite sem estrelas,
a moça da janela,
a moça da janela,
finalmente,
dormiu.
Do outro lado da rua,
encostado à parede,
ele só pensava
em se barbear pela manhã.
Apagou a luz,
se vestiu de cor
e sorriu.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Forca
Engano seu.
Não preciso de amor.
Nem sei bem
o que é isso.
Amor pra mim
não é conta-corrente,
pacto, negociação.
Amor é multidão
de sentidos,
seus laços, seu traço,
seu todo feliz.
Que apenas amo.
Mas, é triste a minha sina.
É que seu amor é tão seu
que até doi.
Seu amor, realmente, não é meu.
E, eu, em camisa de força,
com o pé na forca,
ainda tenho vontade
de sussurrar
o seu nome.
Não preciso de amor.
Nem sei bem
o que é isso.
Amor pra mim
não é conta-corrente,
pacto, negociação.
Amor é multidão
de sentidos,
seus laços, seu traço,
seu todo feliz.
Que apenas amo.
Mas, é triste a minha sina.
É que seu amor é tão seu
que até doi.
Seu amor, realmente, não é meu.
E, eu, em camisa de força,
com o pé na forca,
ainda tenho vontade
de sussurrar
o seu nome.
Seu amor
Nunca pude ser
o seu girassol.
Sei que
seu centro
é este músculo
perfeito, extenso,
denso e cálido.
O teu coração
é uma flor
coberta de cores,
um certo ar adocicado,
e até mesmo traiçoeiro.
E eu? O que sou?
Pra você,
talvez,
o por do sol,
o instigante,
o adeus,
o passo errante.
Mas, acho,
que nunca,
o seu amor.
o seu girassol.
Sei que
seu centro
é este músculo
perfeito, extenso,
denso e cálido.
O teu coração
é uma flor
coberta de cores,
um certo ar adocicado,
e até mesmo traiçoeiro.
E eu? O que sou?
Pra você,
talvez,
o por do sol,
o instigante,
o adeus,
o passo errante.
Mas, acho,
que nunca,
o seu amor.
domingo, 14 de abril de 2013
Fim
Agora sei.
Seu umbigo é o mundo.
Pelo menos
é isso que você acha.
Imagina, então,
como você enxerga o meu.
Também pouco importa.
Antes, até o seu cigarro
eu achava bonito.
Que desilusão rasgada.
Não conheço mais os seus olhos
e eles nem têm tanto brilho.
Dos pedaços de sonhos
que você recolhia na praia
sobraram as esculturas
amontoadas na garagem.
E nem adianta dizer
que é meu astrólogo particular.
Suas luas de lata
e estrelas de gravetos
devolvo neste momento.
Moro, agora, em outra galáxia.
que nem sei dimensionar
o tanto que é longe da sua.
Seu umbigo é o mundo.
Pelo menos
é isso que você acha.
Imagina, então,
como você enxerga o meu.
Também pouco importa.
Antes, até o seu cigarro
eu achava bonito.
Que desilusão rasgada.
Não conheço mais os seus olhos
e eles nem têm tanto brilho.
Dos pedaços de sonhos
que você recolhia na praia
sobraram as esculturas
amontoadas na garagem.
E nem adianta dizer
que é meu astrólogo particular.
Suas luas de lata
e estrelas de gravetos
devolvo neste momento.
Moro, agora, em outra galáxia.
que nem sei dimensionar
o tanto que é longe da sua.
domingo, 31 de março de 2013
Tira-gosto
Seu coração
combina tanto
com o meu
que nem consigo respirar.
Pra ser sincera
tira-gosto
não me satisfaz.
Quero ardor,
prazer,
esquinas
e muito mais.
Me diz,
o que você quer de mim?
combina tanto
com o meu
que nem consigo respirar.
Pra ser sincera
tira-gosto
não me satisfaz.
Quero ardor,
prazer,
esquinas
e muito mais.
Me diz,
o que você quer de mim?
sábado, 30 de março de 2013
Entre cortinas
Sim, perco a compostura
quando me torno,
assim, meio alguém.
De olhos embaçados,
banhados em cor.
Na boca,
um certo ar
de improviso
e pouco som.
Mas sou eu,
parte gigante
e tão pequenina.
Que pena,
investi no tempo.
Pensei que,
sendo quem
você sonhava,
seria feliz.
Acordei,
entre cortinas.
Perdi a mim,
menina.
quando me torno,
assim, meio alguém.
De olhos embaçados,
banhados em cor.
Na boca,
um certo ar
de improviso
e pouco som.
Mas sou eu,
parte gigante
e tão pequenina.
Que pena,
investi no tempo.
Pensei que,
sendo quem
você sonhava,
seria feliz.
Acordei,
entre cortinas.
Perdi a mim,
menina.
quinta-feira, 28 de março de 2013
A primeira vez que vi Brasília
Não te escolhi Brasília.
Mas a primeira vez que te vi
um sol esplendoroso,
vermelho-paixão,
invadiu meu olho.
E foi assim, que vi Brasília.
Acordei, um colchão no chão.
E meu coração
mergulhou em outras
alquimias.
Deixei conchas,
algas, areia,
pés no mar.
Amanheci
corpo e alma
entre o vento,
o novo, o silêncio.
Só você, Brasília,
pra me mostrar que alma
é flor.
Perfeita na forma.
Pronta pra ser semente.
Fremente no amor.
Mas a primeira vez que te vi
um sol esplendoroso,
vermelho-paixão,
invadiu meu olho.
E foi assim, que vi Brasília.
Acordei, um colchão no chão.
E meu coração
mergulhou em outras
alquimias.
Deixei conchas,
algas, areia,
pés no mar.
Amanheci
corpo e alma
entre o vento,
o novo, o silêncio.
Só você, Brasília,
pra me mostrar que alma
é flor.
Perfeita na forma.
Pronta pra ser semente.
Fremente no amor.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Sintonia
Seus olhos transpassam
os meus
como traços de menino
que desenha sóis.
Seus olhos refletem
as dores dos meus.
Compassos, sintonia,
a música que não toquei.
Quem escreve a sinfonia,
os versos, o compasso,
seus olhos
ou os meus?
os meus
como traços de menino
que desenha sóis.
Seus olhos refletem
as dores dos meus.
Compassos, sintonia,
a música que não toquei.
Quem escreve a sinfonia,
os versos, o compasso,
seus olhos
ou os meus?
domingo, 24 de março de 2013
Instinto
Por momentos
te quero aqui.
Quem sabe,
em cinco minutos,
você me invada.
Mas já te aviso,
não sou licor,
não sou doce.
Carrego algo de errante,
acidez,
um azedume.
E, mesmo assim,
me torno carmim
pura boca.
Meu corpo,
pedaços de cetim.
Sou assim.
Pra você, nunca menti.
te quero aqui.
Quem sabe,
em cinco minutos,
você me invada.
Mas já te aviso,
não sou licor,
não sou doce.
Carrego algo de errante,
acidez,
um azedume.
E, mesmo assim,
me torno carmim
pura boca.
Meu corpo,
pedaços de cetim.
Sou assim.
Pra você, nunca menti.
sábado, 16 de março de 2013
Meio assim
Sei, não fui ao seu encontro...
não estava, assim,
meia taça, pura seda,
unhas carmim.
Talvez, uma cara amassada,
um certo ar de mormaço,
infeliz.
E pra você,
não sou meia bomba,
não estou meio louca,
não sou assim, assim.
Visto as peças
de um mosaico
que se juntam
tão tontas,
tão moças,
tão a fim,
que um candeeiro
alumia o mundo inteiro
e se mistura em mim.
não estava, assim,
meia taça, pura seda,
unhas carmim.
Talvez, uma cara amassada,
um certo ar de mormaço,
infeliz.
E pra você,
não sou meia bomba,
não estou meio louca,
não sou assim, assim.
Visto as peças
de um mosaico
que se juntam
tão tontas,
tão moças,
tão a fim,
que um candeeiro
alumia o mundo inteiro
e se mistura em mim.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Nó
Confesso, sim, menti.
Por me ver sem cor,
sem caminho.
Menti por estar sozinha.
Menti por estar tão minha.
Mereço ser sem eira nem beira.
Sem destino.
E o que mais me deixa assim
é este nó no peito.
Freio.
Semi colcheia, clave de sol.
Meio termo,
ao meio, ermo.
Só.
Por me ver sem cor,
sem caminho.
Menti por estar sozinha.
Menti por estar tão minha.
Mereço ser sem eira nem beira.
Sem destino.
E o que mais me deixa assim
é este nó no peito.
Freio.
Semi colcheia, clave de sol.
Meio termo,
ao meio, ermo.
Só.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Aqui
Se você pensa
que é feito de passado,
mero engano.
Seguimos como algo
suspenso...
balão de gás.
Trepadeiras, mar,
esteira.
Um cheiro qualquer.
Ar puro, flores.
Um qualquer ser inteiro.
Aveia, centeio.
Pão, cor, recheio.
Onda que envolve a boca,
toda cheia de flor.
Meu barco, meu remo, meu amor.
que é feito de passado,
mero engano.
Seguimos como algo
suspenso...
balão de gás.
Trepadeiras, mar,
esteira.
Um cheiro qualquer.
Ar puro, flores.
Um qualquer ser inteiro.
Aveia, centeio.
Pão, cor, recheio.
Onda que envolve a boca,
toda cheia de flor.
Meu barco, meu remo, meu amor.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Obra-prima
Minha obra-prima,
a você confesso:
já espalhei minhas cinzas.
Em envelope,
sintetizei minhas cores.
A números, me reduzi.
Senhas, chaves,
uma espécie de ocorrência.
Reparo, reticências.
Parte concreto,
parte essência.
Entrego a você,
meu confessor,
meu maior espaço,
pedaços de mim.
a você confesso:
já espalhei minhas cinzas.
Em envelope,
sintetizei minhas cores.
A números, me reduzi.
Senhas, chaves,
uma espécie de ocorrência.
Reparo, reticências.
Parte concreto,
parte essência.
Entrego a você,
meu confessor,
meu maior espaço,
pedaços de mim.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Nem eu sei
Ao menos que eu me esconda
nos mais remotos cantos,
não deixarei de ser
o que você sempre me diz.
Moura torta errante,
lancelotti,
o sabugo do visconde,
alguém que você
nunca quis.
Quem sabe, amor,
eu não me transforme?
Me torno, então, sua prenda,
envolta em laços,
pura renda?
Quem sabe,
não me amarre
em seus cadarços?
Enfim, quem sabe,
amor?
Talvez eu seja
seu mais doce embate...
Quem sabe?
nos mais remotos cantos,
não deixarei de ser
o que você sempre me diz.
Moura torta errante,
lancelotti,
o sabugo do visconde,
alguém que você
nunca quis.
Quem sabe, amor,
eu não me transforme?
Me torno, então, sua prenda,
envolta em laços,
pura renda?
Quem sabe,
não me amarre
em seus cadarços?
Enfim, quem sabe,
amor?
Talvez eu seja
seu mais doce embate...
Quem sabe?
sábado, 14 de janeiro de 2012
Extremos
Em qualquer idade,
com qualquer face,
seja seca ou enchente
os extremos
desfalecem
os ossos
seja em água
ou no trincado da terra...
O que rasteja,
o que resta
é o que ficou na peneira.
com qualquer face,
seja seca ou enchente
os extremos
desfalecem
os ossos
seja em água
ou no trincado da terra...
O que rasteja,
o que resta
é o que ficou na peneira.
Longe, bem-te-vi!
Juro que não te vi
bem-te-vi!
Embora teu laço
me fortaleça
nos galhos
de lá pra cá,
sou apenas
o descompasso
das dores que permiti.
Por mais que ouça
seu canto doce,
bem-te-vi,
um alguém me trouxe
acalanto, trinado,
perdido em cores.
Por mais que eu conte,
bem-te-vi,
me afino
em noite insone,
sou mais que errante
um triste ausente,
um mero nome,
bem-te-vi!
Embora teu laço
me fortaleça
nos galhos
de lá pra cá,
sou apenas
o descompasso
das dores que permiti.
Por mais que ouça
seu canto doce,
bem-te-vi,
um alguém me trouxe
acalanto, trinado,
perdido em cores.
Por mais que eu conte,
bem-te-vi,
me afino
em noite insone,
sou mais que errante
um triste ausente,
um mero nome,
longe de ti.
sábado, 3 de dezembro de 2011
O Tocantins é ali!
Washiton (a grafia é mesmo assim, de certidão) é o porteiro e o "faz tudo" do bloco onde moro, no Setor Sudoeste de Brasília. A curiosidade de menino faz de Washiton uma daquelas figuras que quer sempre saber de tudo o que acontece. Porteiro, jardineiro, faxineiro e outros "eiros" que aparecerem, Washiton passa o dia entre correspondências, limpeza de vidros e a faxina do piso e... das escadas. Ah... e, é claro, sempre por perto da vida dos moradores do lugar.
Alegre, extrovertido e ingênuo, Washiton não tem papas na língua quando o assunto é salário, o pito do síndico e os rompantes da moradora do primeiro andar.
"Ana, ela falou alguma coisa de mim na reunião de condomínio?"... Não, Washiton! Claro que não!
E eu vou lá falar que a mulher reclamou que viu Washiton enrolado na toalha saindo do banheiro do salão de festas???? Quem manda olhar...
No início do ano, me atinei que Washiton tinha uma família. Embora more no segundo andar, acordei com os berros dele ao celular. Descobriu que tinha sido traído pela mulher e que a filha de 15 anos estava grávida.
Desci pra caminhar e encontrei um Washiton esbravejante: "Ela me botou chifre, Ana, e a minha única filha está prenha".
E, eu, sem entender direito, disse aquelas palavras costumeiras "tudo vai passar", "nossa, e agora?". E segui meu caminho... afinal queria perder uns quilinhos e precisava chegar cedo no trabalho.
E lá se foi o tempo...o ano chegou ao fim. Onrtem, como faço quase todas as manhãs, sintonizei meu radinho, despachei o lixo e...me deparei com um Washiton de olhos e nariz vermelhos. Aos prantos, ele contou que a filha e a netinha, recém-nascida, estão de partida. "Ela vai morar com um homem lá no Tocantins", dizia soluçando. "Vai levar a Yasmim", disse me mostrando a foto do mais novo membro da família.
E aí, caiu a ficha. Pensei em como a vida é dinâmica... me senti mesmo "à flor da pele" como diz aquela música cantada por Gal e Zeca Baleiro.
Washiton ainda me mostrou a mensagem que a mulher dele - perdoada após o tal do chifre -, enviou:
"Meu bem, nossa filha cresceu. Ela precisa seguir a vida dela. A gente tem agora, além de uma filha, uma netinha. Como a nossa família é bonita."
Vi um Washiton feliz. Fazendo planos para o Natal: "Ana, estou pedindo a todos que costumam me dar cesta, que me repassem o dinheiro. Pode ser? Você se importa? É que eu quero fazer um Natal bem bonito pra minha família. Minha filha viaja logo depois.
Hoje, Washiton traça planos. Teve de volta o amor da mulher, passeia com prazer entre fraldas, as latas de leite que adora comprar pra neta e, mais grandioso do que tudo, é um belo exemplo da pureza do ser humano.
"A passagem pro Tocantins é cara, Ana?".
Nem que seja, Washiton.
A gente dá um jeito.
Alegre, extrovertido e ingênuo, Washiton não tem papas na língua quando o assunto é salário, o pito do síndico e os rompantes da moradora do primeiro andar.
"Ana, ela falou alguma coisa de mim na reunião de condomínio?"... Não, Washiton! Claro que não!
E eu vou lá falar que a mulher reclamou que viu Washiton enrolado na toalha saindo do banheiro do salão de festas???? Quem manda olhar...
No início do ano, me atinei que Washiton tinha uma família. Embora more no segundo andar, acordei com os berros dele ao celular. Descobriu que tinha sido traído pela mulher e que a filha de 15 anos estava grávida.
Desci pra caminhar e encontrei um Washiton esbravejante: "Ela me botou chifre, Ana, e a minha única filha está prenha".
E, eu, sem entender direito, disse aquelas palavras costumeiras "tudo vai passar", "nossa, e agora?". E segui meu caminho... afinal queria perder uns quilinhos e precisava chegar cedo no trabalho.
E lá se foi o tempo...o ano chegou ao fim. Onrtem, como faço quase todas as manhãs, sintonizei meu radinho, despachei o lixo e...me deparei com um Washiton de olhos e nariz vermelhos. Aos prantos, ele contou que a filha e a netinha, recém-nascida, estão de partida. "Ela vai morar com um homem lá no Tocantins", dizia soluçando. "Vai levar a Yasmim", disse me mostrando a foto do mais novo membro da família.
E aí, caiu a ficha. Pensei em como a vida é dinâmica... me senti mesmo "à flor da pele" como diz aquela música cantada por Gal e Zeca Baleiro.
Washiton ainda me mostrou a mensagem que a mulher dele - perdoada após o tal do chifre -, enviou:
"Meu bem, nossa filha cresceu. Ela precisa seguir a vida dela. A gente tem agora, além de uma filha, uma netinha. Como a nossa família é bonita."
Vi um Washiton feliz. Fazendo planos para o Natal: "Ana, estou pedindo a todos que costumam me dar cesta, que me repassem o dinheiro. Pode ser? Você se importa? É que eu quero fazer um Natal bem bonito pra minha família. Minha filha viaja logo depois.
Hoje, Washiton traça planos. Teve de volta o amor da mulher, passeia com prazer entre fraldas, as latas de leite que adora comprar pra neta e, mais grandioso do que tudo, é um belo exemplo da pureza do ser humano.
"A passagem pro Tocantins é cara, Ana?".
Nem que seja, Washiton.
A gente dá um jeito.
domingo, 25 de setembro de 2011
Oferendas
Já ofereci os meus sinos
badalei, badalei.
Entreguei os meus mimos,
me rendi.
Mesmo assim
sinto que denegri
os meus tinos.
Anseios, loucos caminhos.
E nem sei mais
porque cismo
em desenterrar
os meus hinos.
Pedaços tão toscos
de mim.
badalei, badalei.
Entreguei os meus mimos,
me rendi.
Mesmo assim
sinto que denegri
os meus tinos.
Anseios, loucos caminhos.
E nem sei mais
porque cismo
em desenterrar
os meus hinos.
Pedaços tão toscos
de mim.
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