Sem nós

Sem nós
O que me prende a ti não são laços. Talvez, nós.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Elefantes

Amores são assim
chegam, partem, se escondem
sem pena dos vizinhos...
Esses, coitados, lidam com
humores instáveis
por todo um contrato.
Bem, quem estiver incomodado,
que se mude.
São passos na noite,
madrugadas de soluços,
nariz escorrendo
no final da tarde...
O por do sol não é mesmo lindo?
Mas quem, afinal,
nunca escondeu
uma tromba d´água
debaixo das pálpebras?
Hum... talvez os elefantes...

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sob a roseira

Comprei as caixas mais belas
de madeira e fitas de cetim
pra guardar como um talismã
suas mais intensas palavras.
Ali, elas são só minhas
mesmo que pertençam
ao universo, a
várias musas
de diferentes perfis.
Nada disso me importa.
Sou fremente em meus desejos
e o que imagino sempre se materializa.
Sou uma espécie de bruxa
que cultiva seus encantos
e pratica seus feitiços.
Todos em nome do amor.
Nada do que faço
me condena
por ser arroubos de mulher
que em rituais de lua cheia
enterra seu nome
aos pés da roseira.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Entrega

As mais doces maçãs
vermelhas, brilhantes
guardei em cestas de prata
no centro da mesa
pra acariciar sua boca.
Espalhei meu perfume
no tapete,
nas cortinas da sala
como gotas de mim
pra saciar o seu corpo.
Escrevi palavras
nas paredes
Iluminadas por um facho de luz,
como num palco,
pra saciar sua alma.
Indícios, senhas,
sinais de fumaça
que teimo
em deixar todo dia
pra saciar sua fome.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Latente

Cálido abraço
que me envolve toda
e me seca a boca
querendo mais
além do morno acaso
das roupas ao vento,
do deixa chegar.
Carrego nas veias
denso caldo vermelho,
pulsante
que lateja nas têmporas
como pequenas agulhas
eternamente instigantes,
que nunca me deixam
dormir em paz.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Sem pauta

Não me restrinjo
a históricos,
caracteres
ou tópicos.
Apenas sigo
a pena
que leve se solta de mim.
E o que flui
é o fundo,
o todo,
o que cavo
em mim.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

De fora pra dentro

Levo em meus anseios
todo produto dos meu sonhos
e não tenho argumento
para explicar
como andam os meus dias.
Seguem sozinhos,
distantes de mim...
Uma certa calma
tardia e instigante
que me faz acreditar
que para meus desencontros
só me resta rezar.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ao vento

O que me redecora,
me confunde o juízo
em ornamentos
fora de mim.
Sou apenas
esta folha seca
que suga
o que sente
e se joga
puramente
no chão.

sábado, 21 de novembro de 2009

Vampiro

Compartilhar sonhos
expectativas
abandonos.
Tudo o que peço
é um pouco
do seu
sangue.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Apenas traços

Na parede do seu quarto
me desenhei.
Traços em giz de cera
espalhados com algodão.
Eternos borrões
como maquiagem
nos olhos molhados.

A Ilha

É muito, extremamente chato
ter a obrigação de sempre pensar positivo.
Afaste os maus pensamentos, minha filha...
Ô conselhinho...
Por favor, me poupem dessa mesmice,
desse frenesi que assola
o planeta dos bonzinhos.
Quero mesmo as tempestades,
naufragar o meu navio...
Quem sabe eu não sobreviva
e aprenda a nadar?
Desfalecer em alguma ilha
do Pacífico
é, simplesmente,
o que quero neste instante.

Velório

Estou dormindo melhor
desde que você morreu.
Pra mim.

Aos nossos sentimentos, Dan! Você entendeu. Bj.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Instinto

Não foi bem assim
que imaginei
o fim da história.
Mas foi minha, sim, a escolha.
Afinal, somos tão capazes,
firmes nos nossos propósitos,
donos do próprio nariz...
que até perdemos o faro,
a visão noturna
e somos incapazes
de distinguir instinto
de superstição.
E ainda nos orgulhamos
de sermos seres racionais.
De pouca valia para quem
nem consegue salvar a própria pele
ou prever e se proteger
das pequenas e grandes tragédias
que nos espreitam todo dia.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tome posse

Para todos que querem
morrer
eu digo:
não, não, não!!!!!
Seu deleite não depende
de ninguém.
Seu aceite é só seu.
O açoite,
de onde vier,vem...
Não é seu...
Proteja...
Transpasse...
Eleja...
Aceite...
Transgrida...
Não há disfarce
para o que é seu.

Pouco sexo

Quando alguém
deixa tudo pra trás
há uma razão tão forte
quanto a conjuntura dos astros,
a conjugação dos verbos
o divã...
Quando alguém
abre mão de tantas coisas
isso requer respeito.
Porque
se alguém abre mão
do contexto,
do seu texto
não há mais reflexo...
O que há é pouco sexo
refluxo
desconexo
E, pra mim,
me desculpe,
senhores,
não há nexo.

Se acaso me quiseres

Algo está fora do tom.
Descompassos
Semi tons
mero ocaso.
Perdoe-me Chico
mas se acaso me quiseres
sou dessas mulheres
que só dizem
Sim
pra você!
Não pra você, Chicoooooooooooooooo!
Desculpe, apenas,
a licença poética...

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Desapego

Você nunca
mas nunca mais
vai saber o que sinto.
Assim você quis
Assim será...

Transbordando

O acordar
se torna mais belo
a cada manhã
em que me sinto
abrigada
e acarinhada
entre palavras
e lençóis de algodão.
E o primeiro gole d'água
que bebo com mais vontade
escorre por toda minha boca.
E é intensa a vontade
de sorver até a última gota
o líquido que você me oferece
em gigantescas moringas
cheias até o topo.

domingo, 1 de novembro de 2009

Enlace

Quando minha perna enlaçar a sua
não diga nada
não peça nada.
São movimentos involuntários
levados pelo que nem sei
e nem posso explicar.
Se quiser, apenas retribua....
Mas me deixe descansar
nesse enlace
tão íntimo
espontâneo...
Apenas e totalmente
um laço.

sábado, 11 de julho de 2009

Lápis

As perdas do caminho
fazem parte
de todo processo
do caminhar...
Mero progresso paisagístico
de nem sei quem...
Começo da subida
do esparramar de ondas
de afundar o pé...
Movimento de encher o copo
até o topo
chutar o balde
romper o grito.
Desarme-se
desate os nós...
Somos poucos
por aqui.
Apenas a pena caída
o vulto, a vela que queima...
um alicerce...
Seria tão bom ser o toque final,
o prego na parede,
o designer,
a cor que realça.
Mas há quem nasceu
pra ser o papel
e quem nasceu pra ser
Lápis.