Não te escolhi Brasília.
Mas a primeira vez que te vi
um sol esplendoroso,
vermelho-paixão,
invadiu meu olho.
E foi assim, que vi Brasília.
Acordei, um colchão no chão.
E meu coração
mergulhou em outras
alquimias.
Deixei conchas,
algas, areia,
pés no mar.
Amanheci
corpo e alma
entre o vento,
o novo, o silêncio.
Só você, Brasília,
pra me mostrar que alma
é flor.
Perfeita na forma.
Pronta pra ser semente.
Fremente no amor.
quinta-feira, 28 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
Sintonia
Seus olhos transpassam
os meus
como traços de menino
que desenha sóis.
Seus olhos refletem
as dores dos meus.
Compassos, sintonia,
a música que não toquei.
Quem escreve a sinfonia,
os versos, o compasso,
seus olhos
ou os meus?
os meus
como traços de menino
que desenha sóis.
Seus olhos refletem
as dores dos meus.
Compassos, sintonia,
a música que não toquei.
Quem escreve a sinfonia,
os versos, o compasso,
seus olhos
ou os meus?
domingo, 24 de março de 2013
Instinto
Por momentos
te quero aqui.
Quem sabe,
em cinco minutos,
você me invada.
Mas já te aviso,
não sou licor,
não sou doce.
Carrego algo de errante,
acidez,
um azedume.
E, mesmo assim,
me torno carmim
pura boca.
Meu corpo,
pedaços de cetim.
Sou assim.
Pra você, nunca menti.
te quero aqui.
Quem sabe,
em cinco minutos,
você me invada.
Mas já te aviso,
não sou licor,
não sou doce.
Carrego algo de errante,
acidez,
um azedume.
E, mesmo assim,
me torno carmim
pura boca.
Meu corpo,
pedaços de cetim.
Sou assim.
Pra você, nunca menti.
sábado, 16 de março de 2013
Meio assim
Sei, não fui ao seu encontro...
não estava, assim,
meia taça, pura seda,
unhas carmim.
Talvez, uma cara amassada,
um certo ar de mormaço,
infeliz.
E pra você,
não sou meia bomba,
não estou meio louca,
não sou assim, assim.
Visto as peças
de um mosaico
que se juntam
tão tontas,
tão moças,
tão a fim,
que um candeeiro
alumia o mundo inteiro
e se mistura em mim.
não estava, assim,
meia taça, pura seda,
unhas carmim.
Talvez, uma cara amassada,
um certo ar de mormaço,
infeliz.
E pra você,
não sou meia bomba,
não estou meio louca,
não sou assim, assim.
Visto as peças
de um mosaico
que se juntam
tão tontas,
tão moças,
tão a fim,
que um candeeiro
alumia o mundo inteiro
e se mistura em mim.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Nó
Confesso, sim, menti.
Por me ver sem cor,
sem caminho.
Menti por estar sozinha.
Menti por estar tão minha.
Mereço ser sem eira nem beira.
Sem destino.
E o que mais me deixa assim
é este nó no peito.
Freio.
Semi colcheia, clave de sol.
Meio termo,
ao meio, ermo.
Só.
Por me ver sem cor,
sem caminho.
Menti por estar sozinha.
Menti por estar tão minha.
Mereço ser sem eira nem beira.
Sem destino.
E o que mais me deixa assim
é este nó no peito.
Freio.
Semi colcheia, clave de sol.
Meio termo,
ao meio, ermo.
Só.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Aqui
Se você pensa
que é feito de passado,
mero engano.
Seguimos como algo
suspenso...
balão de gás.
Trepadeiras, mar,
esteira.
Um cheiro qualquer.
Ar puro, flores.
Um qualquer ser inteiro.
Aveia, centeio.
Pão, cor, recheio.
Onda que envolve a boca,
toda cheia de flor.
Meu barco, meu remo, meu amor.
que é feito de passado,
mero engano.
Seguimos como algo
suspenso...
balão de gás.
Trepadeiras, mar,
esteira.
Um cheiro qualquer.
Ar puro, flores.
Um qualquer ser inteiro.
Aveia, centeio.
Pão, cor, recheio.
Onda que envolve a boca,
toda cheia de flor.
Meu barco, meu remo, meu amor.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Obra-prima
Minha obra-prima,
a você confesso:
já espalhei minhas cinzas.
Em envelope,
sintetizei minhas cores.
A números, me reduzi.
Senhas, chaves,
uma espécie de ocorrência.
Reparo, reticências.
Parte concreto,
parte essência.
Entrego a você,
meu confessor,
meu maior espaço,
pedaços de mim.
a você confesso:
já espalhei minhas cinzas.
Em envelope,
sintetizei minhas cores.
A números, me reduzi.
Senhas, chaves,
uma espécie de ocorrência.
Reparo, reticências.
Parte concreto,
parte essência.
Entrego a você,
meu confessor,
meu maior espaço,
pedaços de mim.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Nem eu sei
Ao menos que eu me esconda
nos mais remotos cantos,
não deixarei de ser
o que você sempre me diz.
Moura torta errante,
lancelotti,
o sabugo do visconde,
alguém que você
nunca quis.
Quem sabe, amor,
eu não me transforme?
Me torno, então, sua prenda,
envolta em laços,
pura renda?
Quem sabe,
não me amarre
em seus cadarços?
Enfim, quem sabe,
amor?
Talvez eu seja
seu mais doce embate...
Quem sabe?
nos mais remotos cantos,
não deixarei de ser
o que você sempre me diz.
Moura torta errante,
lancelotti,
o sabugo do visconde,
alguém que você
nunca quis.
Quem sabe, amor,
eu não me transforme?
Me torno, então, sua prenda,
envolta em laços,
pura renda?
Quem sabe,
não me amarre
em seus cadarços?
Enfim, quem sabe,
amor?
Talvez eu seja
seu mais doce embate...
Quem sabe?
sábado, 14 de janeiro de 2012
Extremos
Em qualquer idade,
com qualquer face,
seja seca ou enchente
os extremos
desfalecem
os ossos
seja em água
ou no trincado da terra...
O que rasteja,
o que resta
é o que ficou na peneira.
com qualquer face,
seja seca ou enchente
os extremos
desfalecem
os ossos
seja em água
ou no trincado da terra...
O que rasteja,
o que resta
é o que ficou na peneira.
Longe, bem-te-vi!
Juro que não te vi
bem-te-vi!
Embora teu laço
me fortaleça
nos galhos
de lá pra cá,
sou apenas
o descompasso
das dores que permiti.
Por mais que ouça
seu canto doce,
bem-te-vi,
um alguém me trouxe
acalanto, trinado,
perdido em cores.
Por mais que eu conte,
bem-te-vi,
me afino
em noite insone,
sou mais que errante
um triste ausente,
um mero nome,
bem-te-vi!
Embora teu laço
me fortaleça
nos galhos
de lá pra cá,
sou apenas
o descompasso
das dores que permiti.
Por mais que ouça
seu canto doce,
bem-te-vi,
um alguém me trouxe
acalanto, trinado,
perdido em cores.
Por mais que eu conte,
bem-te-vi,
me afino
em noite insone,
sou mais que errante
um triste ausente,
um mero nome,
longe de ti.
sábado, 3 de dezembro de 2011
O Tocantins é ali!
Washiton (a grafia é mesmo assim, de certidão) é o porteiro e o "faz tudo" do bloco onde moro, no Setor Sudoeste de Brasília. A curiosidade de menino faz de Washiton uma daquelas figuras que quer sempre saber de tudo o que acontece. Porteiro, jardineiro, faxineiro e outros "eiros" que aparecerem, Washiton passa o dia entre correspondências, limpeza de vidros e a faxina do piso e... das escadas. Ah... e, é claro, sempre por perto da vida dos moradores do lugar.
Alegre, extrovertido e ingênuo, Washiton não tem papas na língua quando o assunto é salário, o pito do síndico e os rompantes da moradora do primeiro andar.
"Ana, ela falou alguma coisa de mim na reunião de condomínio?"... Não, Washiton! Claro que não!
E eu vou lá falar que a mulher reclamou que viu Washiton enrolado na toalha saindo do banheiro do salão de festas???? Quem manda olhar...
No início do ano, me atinei que Washiton tinha uma família. Embora more no segundo andar, acordei com os berros dele ao celular. Descobriu que tinha sido traído pela mulher e que a filha de 15 anos estava grávida.
Desci pra caminhar e encontrei um Washiton esbravejante: "Ela me botou chifre, Ana, e a minha única filha está prenha".
E, eu, sem entender direito, disse aquelas palavras costumeiras "tudo vai passar", "nossa, e agora?". E segui meu caminho... afinal queria perder uns quilinhos e precisava chegar cedo no trabalho.
E lá se foi o tempo...o ano chegou ao fim. Onrtem, como faço quase todas as manhãs, sintonizei meu radinho, despachei o lixo e...me deparei com um Washiton de olhos e nariz vermelhos. Aos prantos, ele contou que a filha e a netinha, recém-nascida, estão de partida. "Ela vai morar com um homem lá no Tocantins", dizia soluçando. "Vai levar a Yasmim", disse me mostrando a foto do mais novo membro da família.
E aí, caiu a ficha. Pensei em como a vida é dinâmica... me senti mesmo "à flor da pele" como diz aquela música cantada por Gal e Zeca Baleiro.
Washiton ainda me mostrou a mensagem que a mulher dele - perdoada após o tal do chifre -, enviou:
"Meu bem, nossa filha cresceu. Ela precisa seguir a vida dela. A gente tem agora, além de uma filha, uma netinha. Como a nossa família é bonita."
Vi um Washiton feliz. Fazendo planos para o Natal: "Ana, estou pedindo a todos que costumam me dar cesta, que me repassem o dinheiro. Pode ser? Você se importa? É que eu quero fazer um Natal bem bonito pra minha família. Minha filha viaja logo depois.
Hoje, Washiton traça planos. Teve de volta o amor da mulher, passeia com prazer entre fraldas, as latas de leite que adora comprar pra neta e, mais grandioso do que tudo, é um belo exemplo da pureza do ser humano.
"A passagem pro Tocantins é cara, Ana?".
Nem que seja, Washiton.
A gente dá um jeito.
Alegre, extrovertido e ingênuo, Washiton não tem papas na língua quando o assunto é salário, o pito do síndico e os rompantes da moradora do primeiro andar.
"Ana, ela falou alguma coisa de mim na reunião de condomínio?"... Não, Washiton! Claro que não!
E eu vou lá falar que a mulher reclamou que viu Washiton enrolado na toalha saindo do banheiro do salão de festas???? Quem manda olhar...
No início do ano, me atinei que Washiton tinha uma família. Embora more no segundo andar, acordei com os berros dele ao celular. Descobriu que tinha sido traído pela mulher e que a filha de 15 anos estava grávida.
Desci pra caminhar e encontrei um Washiton esbravejante: "Ela me botou chifre, Ana, e a minha única filha está prenha".
E, eu, sem entender direito, disse aquelas palavras costumeiras "tudo vai passar", "nossa, e agora?". E segui meu caminho... afinal queria perder uns quilinhos e precisava chegar cedo no trabalho.
E lá se foi o tempo...o ano chegou ao fim. Onrtem, como faço quase todas as manhãs, sintonizei meu radinho, despachei o lixo e...me deparei com um Washiton de olhos e nariz vermelhos. Aos prantos, ele contou que a filha e a netinha, recém-nascida, estão de partida. "Ela vai morar com um homem lá no Tocantins", dizia soluçando. "Vai levar a Yasmim", disse me mostrando a foto do mais novo membro da família.
E aí, caiu a ficha. Pensei em como a vida é dinâmica... me senti mesmo "à flor da pele" como diz aquela música cantada por Gal e Zeca Baleiro.
Washiton ainda me mostrou a mensagem que a mulher dele - perdoada após o tal do chifre -, enviou:
"Meu bem, nossa filha cresceu. Ela precisa seguir a vida dela. A gente tem agora, além de uma filha, uma netinha. Como a nossa família é bonita."
Vi um Washiton feliz. Fazendo planos para o Natal: "Ana, estou pedindo a todos que costumam me dar cesta, que me repassem o dinheiro. Pode ser? Você se importa? É que eu quero fazer um Natal bem bonito pra minha família. Minha filha viaja logo depois.
Hoje, Washiton traça planos. Teve de volta o amor da mulher, passeia com prazer entre fraldas, as latas de leite que adora comprar pra neta e, mais grandioso do que tudo, é um belo exemplo da pureza do ser humano.
"A passagem pro Tocantins é cara, Ana?".
Nem que seja, Washiton.
A gente dá um jeito.
domingo, 25 de setembro de 2011
Oferendas
Já ofereci os meus sinos
badalei, badalei.
Entreguei os meus mimos,
me rendi.
Mesmo assim
sinto que denegri
os meus tinos.
Anseios, loucos caminhos.
E nem sei mais
porque cismo
em desenterrar
os meus hinos.
Pedaços tão toscos
de mim.
badalei, badalei.
Entreguei os meus mimos,
me rendi.
Mesmo assim
sinto que denegri
os meus tinos.
Anseios, loucos caminhos.
E nem sei mais
porque cismo
em desenterrar
os meus hinos.
Pedaços tão toscos
de mim.
domingo, 11 de setembro de 2011
Quando os olhos brilham
Saudade...
dos coretos, dos bancos de praça, dos doces de leite e de amendoim,
vendidos em tabuleiros levados na cabeça e cobertos por panos de prato.
Da magia dos hippies com seus colares de conchas
espalhados em cima de panos coloridos.
Da bisnaga enrolada em papel e levada em cestos de casa em casa.
O velho navio ancorado em Angra...
O apito do trem nas trilhas de Mangaratiba...
O carnaval de Muriqui...
A manteiga derretendo ao calor,
As lagartixas na parede... a esteira...
A casa fechada cheirando a mofo
e lavada sempre a muitas mãos
nas férias de janeiro.
Saudade nunca machuca.
É um lembrar gostoso
que queima devagar o peito
e deixa um sorriso bobo no rosto.
dos coretos, dos bancos de praça, dos doces de leite e de amendoim,
vendidos em tabuleiros levados na cabeça e cobertos por panos de prato.
Da magia dos hippies com seus colares de conchas
espalhados em cima de panos coloridos.
Da bisnaga enrolada em papel e levada em cestos de casa em casa.
O velho navio ancorado em Angra...
O apito do trem nas trilhas de Mangaratiba...
O carnaval de Muriqui...
A manteiga derretendo ao calor,
As lagartixas na parede... a esteira...
A casa fechada cheirando a mofo
e lavada sempre a muitas mãos
nas férias de janeiro.
Saudade nunca machuca.
É um lembrar gostoso
que queima devagar o peito
e deixa um sorriso bobo no rosto.
sábado, 3 de setembro de 2011
Destino
Seus desenganos
são mero desatino...
falta de prumo,
de rumo certo,
o descompasso,
em pouco espaço.
Um alívio...
o aceite...
um pacto.
Seus desenganos
se camuflam
em finas estampas.
Escapam ao controle
e mudam de canal.
Se o desatino
são mero desatino...
falta de prumo,
de rumo certo,
o descompasso,
em pouco espaço.
Um alívio...
o aceite...
um pacto.
Seus desenganos
se camuflam
em finas estampas.
Escapam ao controle
e mudam de canal.
Se o desatino
é um compasso...
a falta de rumo
é um alívio
por aceitar o pacto
do seu destino
em pouco espaço.
a falta de rumo
é um alívio
por aceitar o pacto
do seu destino
em pouco espaço.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Régua T
O braço que te enlaça
que te sufoca os sentidos
passeia por sobre
vértices desenhadas
em perfeita arquitetura
de traços anatômicos.
O braço que te enlaça
em perfeito encaixe
não usou régua T.
Brincou com o arrepio da pele
e peitos ávidos.
Sugou o que nada tem
de sutil
mas que carrega a essência
da energia inalada.
Um certo ar rarefeito
como pequenos experimentos
de um gás mortal.
Veneno que paralisa os sentidos
e torna os gestos imortais.
Um intenso arco
que molda plasticamente os desejos
de seres tão diferentes e iguais.
que te sufoca os sentidos
passeia por sobre
vértices desenhadas
em perfeita arquitetura
de traços anatômicos.
O braço que te enlaça
em perfeito encaixe
não usou régua T.
Brincou com o arrepio da pele
e peitos ávidos.
Sugou o que nada tem
de sutil
mas que carrega a essência
da energia inalada.
Um certo ar rarefeito
como pequenos experimentos
de um gás mortal.
Veneno que paralisa os sentidos
e torna os gestos imortais.
Um intenso arco
que molda plasticamente os desejos
de seres tão diferentes e iguais.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Amores antigos
Amores antigos
são como moinhos.
Trituram, moem
mas não perdem a beleza.
A nós cabe, apenas,
pulverizar os rastros, o concreto.
E aproveitar os ventos
como fonte de energia
para drenar,
ao mar,
a água que corre
dos olhos.
são como moinhos.
Trituram, moem
mas não perdem a beleza.
A nós cabe, apenas,
pulverizar os rastros, o concreto.
E aproveitar os ventos
como fonte de energia
para drenar,
ao mar,
a água que corre
dos olhos.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Mosaico
Somos parte e começo
de uma longa história
como mosaicos
em mãos habilidosas
que dão forma ao desconexo.
E nos deixamos expor
em molduras como quadros
ao alcance dos olhos
e longe das mãos.
Ficamos assim por horas
formando elos possíveis.
Você e eu
sombras que dançam
na parede do meu quarto.
de uma longa história
como mosaicos
em mãos habilidosas
que dão forma ao desconexo.
E nos deixamos expor
em molduras como quadros
ao alcance dos olhos
e longe das mãos.
Ficamos assim por horas
formando elos possíveis.
Você e eu
sombras que dançam
na parede do meu quarto.
Ser-árvore
Somos feitos
da mesma espécie
de árvore.
Daquela que adora quintais
e se deixa cobrir de flor
na estação certa.
Os caules entrelaçados
aquecem braços do mesmo tronco.
Somos árvores centenárias
por termos a alma antiga
e o amor
cravado como raízes
no fundo da terra.
da mesma espécie
de árvore.
Daquela que adora quintais
e se deixa cobrir de flor
na estação certa.
Os caules entrelaçados
aquecem braços do mesmo tronco.
Somos árvores centenárias
por termos a alma antiga
e o amor
cravado como raízes
no fundo da terra.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Tempero
Se não preciso de você
e nem você de mim...
estamos quites, não?
Dobre a esquina.
Não olhe pra trás...
Mas continuo aqui
usando o mesmo corte de cabelo
as mesmas blusas sem cores.
Não quero e nem preciso de acessórios.
Diferente do que você pensa
não sou feita de adornos ou enfeites.
A vida, pra mim, meu caro
É marinada em azeites.
sábado, 30 de julho de 2011
Apenas um fruto
Sou um fruto.
Meu cheiro é irresistível.
Mesmo assim,
espalho sementes.
Mas não fico apenas nisso.
Ofereço flores
e me cubro de cor.
Esparramo em seus lábios
o agridoce
que sua língua acaricia.
Seus dentes mordiscam
o tenro recheio
que invade sua boca.
Meu sulco.
Mas, sou apenas um fruto
e me reproduzo em muitos
nos caroços que, no fim,
você joga aos quatro ventos.
Meu cheiro é irresistível.
Mesmo assim,
espalho sementes.
Mas não fico apenas nisso.
Ofereço flores
e me cubro de cor.
Esparramo em seus lábios
o agridoce
que sua língua acaricia.
Seus dentes mordiscam
o tenro recheio
que invade sua boca.
Meu sulco.
Mas, sou apenas um fruto
e me reproduzo em muitos
nos caroços que, no fim,
você joga aos quatro ventos.
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