Sem nós

Sem nós
O que me prende a ti não são laços. Talvez, nós.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Sem máscaras

Desculpe
se entendi errado
os seus gestos
e interpretei mal
as palavras.
Isso acontece
com os corações aflitos
e acelerados.
Esqueça tudo que eu disse.
Encare como se fosse um pensamento longe
e criativo.
Não retiro nada daquilo
mas peço que você pare de me sugar
com esse olhar de reticências.
Pronto.
Está tudo resolvido.
Só tirei a máscara
porque era carnaval.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Confessionário

Quando acordo e te vejo
sei que ganhei um dia
de puro enlevo.
Suspiro sua presença
e me vejo
pulando em seu colo
por pura falta de modos.
Não posso compactuar
com a discrição
das meninas de outras eras.
Não tenho pudores, nem ódios.
Sou apenas isso que você conhece.
Uma alma densa
presa ao seu pescoço
e a desabar
em seu colo.

Palavras

Quando a minha palavra
for ouvida
todas as noites insones
terão razão de ser.
Meus dias serão pintados
de cores fortes
e me jogarei neles.
Quando a minha palavra
for repetida por outra boca
ouvirei mantras
e os sons do silêncio.
Serei um ser pulsante
de atos livres.
Quando minha palavra
entrar na vida de alguém
nunca mais estarei sozinha.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Teias

De longe tudo é permitido
sem censuras ou melindres.
É como se não houvesse fronteira.
Podemos esparramar
nossos amores contidos,
as palavras guardadas,
a mais sutil emoção.
Às vezes, a presença
refreia os instintos
por concretizar
a beleza desenhada
e revista por todos os ângulos.
Textura, cheiro, gosto.
Nada jamais visto.
Puramente sentido
e capturado pelas finas teias
que trançam certos caminhos.

Sem reservas

Olhe-se e veja
Somos muito
em tão pouco espaço.
Respiramos o mesmo ar,
compactuamos palavras.
Servimos aos mesmos amores.
São abraços invisíveis
que nos colocam
de frente um para o outro.
Nada planejado
tudo consentido
sem reservas
ou cartão de embarque.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Em tons de gris
vagueia meu coração
a procura de uma aquarela
para refazer este dia.
Pintá-lo com as cores
da infância.
Casa, chaminé,
porta sem trancas
e cortinas na janela.
Simples vida
só vista por olhos de criança.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Rolleiflex

Atrás do nosso retrato
em letras de forma
nosso testemunho
da troca de amores,
poucos favores,
toda entrega.
Sorriso nos olhos
em momentos únicos
registrados por uma rolleiflex.
Nuances que, hoje, fogem
às digitais.
Registro dos tempos modernos
onde não há lentidão,
detalhes ou arremates.
Século em que a solidão
se veste como mais um
vulto na multidão.
Onde nós mesmos
tiramos nossos retratos.
Não precisamos de ninguém.
Até em nossa solidão
somos autônomos,
independentes.
Reverso do tempo
onde nos ensinavam
a amarrar os sapatos,
estendiam as mãos
para subirmos em trens
e precisávamos de terceiros
pra registrar nossa felicidade.
Apenas para compartilhar.

domingo, 18 de janeiro de 2009

De você, nada sei

Não quero esquecer o seu rosto
nem poderia
Ele está desenhado em mim
cravado com agulhas finas.
Não tenho mais nossas fotografias
você as rasgou naquele dia
sem me dizer o motivo
dos seus desvarios.
Também não sei mais
se quero ouvir
qualquer coisa.
Não tive o direito
de falar, de me defender
por nada saber.
Agora, passado o temporal,
não mais voltarei.
Por isso rasguei
suas cartas
e não atendi a seus apelos.
Prefiro assim.
Sem explicações fiquei
Sem explicações você ficará.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Retrato

Em cada sonho revelado
redesenho minha história,
misturo pedaços
que guardo
no espaço de tempo
que me sobrou.
O que você vê
é apenas uma caricatura,
breve relato do que sou.
Minha identidade
não está em carteiras
ou bolsas
mas na expressão
da minha alma
que nenhuma lente
captou.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Máscaras

Se for minha sina
me deixe aqui, só.
Não mereço aplausos
ou pedidos de bis.
A cortina há muito se fechou.
O ensaio foi em vão,
forçado, sem nexo.
Os protagonistas
não convencem.
São, apenas, artistas da vida
que emudecem
sob holofotes.

À queima roupa

Quero desvestir-me de esperas
e vazios no peito
que teimam
em remexer meu passado
sem constragimento.
Desvencilhar-me do torpe,
de palavras jogadas
à queima roupa,
de quem me lança
na fogueira.
Se sou feiticeira
é o meu destino.
Não aceito condenações
ou estigmas.
Nasci para me livrar do medo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Rito

Suas mãos
me tiram o ar
quando envolvem minha nuca
e embalam meus cabelos.
Fico como boneca de pano
completamente entregue.
E me deixo transportar
em passos ousados
na mais íntima das danças
que move a natureza
em ritos ancestrais.

Leve pouso

Amanhã não sei se estarei por aqui
sou levada por rumores
humores inconstantes
como um dia que amanhece
em tons de gris
depois se aquece
e torna-se violeta.
Amanhã não sei se estarei por aqui
nada me pertence
nem mesmo a vontade
Alguém pode levá-la
e eu ficarei como o barro vermelho
que veste minha cidade.
Amanhã não sei se estarei por aqui
mas me procure
não me deixe pra trás
em algum lugar pousei
e só você poderá me buscar.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Dizer EU QUERO - este, sim, é um Feliz Ano Novo.

Começar ou continuar?

Estranhas idéias que temos.

Um ano desaparece

simplesmente

basta a noite cair,

como sempre

e o dia chegar,

como sempre.

FELIZ ANO NOVO?

Então é assim?

Acabou. C´est fini. The end?

Não sei...

mas acordo na mesma casa,

tenho as mesmas contas,

os mesmos vizinhos de hoje.

A virada não cabe em uma data

mas em um único movimento:

mexer os lábios,

soltar a voz e murmurar

ou gritar na janela

EU QUERO!!!!!

domingo, 28 de dezembro de 2008

Sem embates, por favor...

Naquela noite,
triste hora dos acertos,
a chuva abafou minha voz.
Tanto por dizer
e por escutar...
Mas você me conhece bem
sabe que não sei gritar.
Minha voz se perde em mim
nesses momentos
por saber
que amor não é embate.
Confrontos me deixam sem ar
e fazem pesar minhas pálpebras.
E nessas horas,
você nunca me estendeu a mão.
Guardo a mágoa
do abraço não dado
e por fazer da chuva
meu choro
quando, sozinha,
atravessei a rua
naquela noite,
triste hora dos acertos.

Armadura

Pra você,
sou toda ouvidos
Mas não abuse
do meu bem-querer.
Não sou feita de cera
pra me derreter com elogios
nem de louça
pra me desfazer em cacos.
Saiba que meu material
é resistente
já foi testado em fogo
e em temperaturas polares.
E estou aqui, não estou?
Pra você pode parecer estranho
Já, pra mim,
ficou fácil demais
me encouraçar.

Capricho

Paixões surgem
fora de época.
Num carnaval em novembro,
nas férias de abril
ou entre corações
já de outros.
Sem tempo certo
o querer rasga a pele
provoca tufões.
Capricho da natureza
que penetra em compartimentos
sem carimbo de aprovação.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Entrelaços

Vínculos surgem
do que não podemos explicar
Complementos, diferenças,
sintonia
tudo ou nada disso.
Pouco importa.
Com esses laços
enfeitamos segredos
fiamos histórias
e nos entrelaçamos
em momentos
tão enraizados em nós
que torna-se difícil
desenhar o óbvio
e entender
o que não se explica.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Êxtase

Sinto frio sem seu corpo.
Mesmo em pensamento
ele me falta
como o ar
que abrevia meus dias.
Não sei quanto tempo teremos
mas para mim
pouco importa.
Louco amor
que diz se conformar com o pouco.
Mas que anseia
por mais e mais.
Talvez ninguém
consiga te alcançar
como eu.
E, mesmo assim,
sou apenas o rascunho
do seu poema
ou a breve partitura
dos bêbados e errantes.
Mas tenho medo
de, quando você acordar,
eu já não esteja mais aqui.
Sou parte do vento
que preenche o fim da tarde
e me deixo levar
pra onde me sinto bem.
Acarinhada, beijada,
em puro êxtase
como num manual
de sexo tântrico.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Instinto

O meu lado racional
já fez sua opção.
Se vou me arrepender
ainda não sei.
Afinal, sou apenas humana,
às vezes frágil,
em outras visceral.
Mas quero preservar
os meus instintos
não só de sobrevivência
mas o de respirar aliviada.
Desta vez, tenho medo
das palavras não ditas
e pela falta delas
me vi acuada
e precisei sair à francesa.